O Futuro

Registrarei aqui minhas visões sobre o futuro da economia mundial como uma tentativa de testar minhas idéias em economia. Espero olhar para estas postagens daqui a uns 5 anos e aprender com elas.

Hoje em dia, a moda das preocupações se encontra nas dúvidas quanto a solvência das dívidas gregas, espanholas, portuguesas e italianas. Claramente eles gastam muito mais do que arrecadam e, por não terem o poder monetizar sua dívida, fazem jus as dúvidas no mercado. No entanto, acredito que os olhares estão sendo um pouco desviados dos verdadeiros grandes problemas: as dívidas soberanas dos grandes (UK, Japão e principalmente os EUA).

Estes três gigantes, no entanto, tem uma forma peculiar de dar um calote. Eles podem simplesmente imprimir um monte de grana e "pagar" suas dívidas em inflação, retirando poder de compra da população.

Pois bem, eis a sequência de fatos que imagino no futuro que levariam um colapso da moeda americana. A china encontrará cada vez mais dificuldade em manter sua moeda artificialmente desvalorizada acumulando reservas e financiando a gastança do governo americano. Além disso, o forte estimulo em crédito artificial (forte impressão de yuans para manter a moeda desvalorizada) gera preocupações em bolhas de ativos (uma forma diferente de inflação), assim imagino que a china venha a valorizar sua moeda em relação ao dólar como forma de controlar bolhas e inflação.

A valorização do Yuan será o início do fim do dólar como moeda de reserva. A principal detentora de títulos americanos diminuirá (ou pelo menos parará de crescer) suas reservas. Os EUA começaram a sentir os efeitos da inflação com o encarecimento dos produtos estrangeiros, após isso, dois problemas surgirão. Primeiramente, as perspectivas de maior inflação futura exigirão juros mais altos nos mercados futuros encarecendo os encargos da dívida pública americana. Isso agrava o segundo problema, com a gradual perda do status de moeda de reserva, o governo americano começará a encontrar dificuldades em rolar sua dívida, tendo que rola-lá a um custo cada vez mais alto. Quando a situação se tornar insustentável, uma dura decisão terá de ser tomada pelo governo americano, iniciar um programa de medidas austeras, reduzindo seus monstruosos déficits (aumentando impostos ou cortando gastos), dar um default (algo nunca ocorrido na história) ou imprimir papel pra caralho e honrar suas dívidas. Acredito que a primeira e a última hipótese são as mais prováveis.

Quando a inflação atingir o patamar acima de dois dígitos e as taxas de longo prazo americanas explodirem, teremos que o governo perderá total credibilidade e, assim, como em todo tipo de intervenção "salvadora" estatal, o pânico deverá tomar conta.

Quanto aos mercados emergentes, no caso o Brasil, acredito que sofreremos, porém muito menos.
Atualmente somos um polo atrator de capital devido a alguns fatores: alta produtividade marginal do capital em comparação com os países desenvolvidos, taxas de juros bastante atraentes em relação aos desenvolvidos. Vou dar um pouco mais de atenção a este segundo fator.
Os países desenvolvidos ao carregarem taxas de juros artificialmente baixas (até negativas em termos reais) por um período longo de tempo, estimulam o chamado "malinvestment". Com o dinheiro de graça, qualquer merda se torna viável como bom investimento, é como se o mercado ficasse iludido achando que há mais poupança do que realmente há e acaba por investir em projetos que não tem recursos para serem completados, quando os preços começam a subir, tais investimentos se provam inviáveis e temos um crash de "malinvestments".

Pois bem, acredito que este surto de investimentos no Brasil tem como uma de suas componentes o facílimo crédito nos países desenvolvidos (exportadores de capital). Assim, quando as taxas de juros americanas começarem a subir devido aos problemas ja citados, veremos a "bolha" Brasil, Australia, e outros países exportadores de commodities estourar. O capital estrangeiro tão importante para acelerar o crescimento de nosso país começará a fluir para fora de nossas fronteiras de forma abrupta criando um problema de financiamento do BP que exigirá uma forte queima de reservas, ou intensa desvalorização do real. Sofreremos esse abalo, que deve nos por em recessão, mas não sofreremos tanto quanto o verdadeiro epicentro do terremoto, os EUA.

Não me arrisco a fazer previsões precisas de timing pois grande parte das previsões que fiz aqui dependem de decisões políticas que sofrem um outro tipo de interesse além do econômico ao qual exigiria um novo post de análise. Futuramente escreverei um post com minhas previsões sobre as atitudes políticas que serão provalvelmente tomadas pelos autoentitulados "salvadores" da nação. Mas ja adianto que quanto mais o governo e o banco central intervêm nas economias, mais distorções veremos nos mercados. É claro que estas intervenções não se sustentam e, eventualmente, o mercado se reajusta.

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