Resumão da questão grega
Neste post escreverei um pouco sobre o que penso sobre a situação grega.
A dívida grega tem valor bastante elevado superando o seu PIB, e seu déficit de dois dígitos em percentual do PIB não ajuda a crer que essa relação deva melhorar. Pois bem, resumidamente, os investidores começaram a duvidar da capacidade grega em honrar suas dívidas e os prêmios de risco (medido pelos CDS, que são como seguros) para os papéis gregos começaram a subir em ritmo acelerado. A grécia encontrou ai um problema, já não tendo recursos para pagar suas contas precisaria rolar sua dívida a um custo inviável.
Começou a cogitar-se um default, no entanto, li um argumento de Paul Krugman interessante quanto a essa possibilidade. A grécia possui um déficit primário (excluindo-se juros) de 8,5% do PIB, ou seja, em caso de renegociação da dívida e suspensão dos pagamentos de juros e de principal, a Grécia ainda assim necessitaria de financiamento para pagar suas contas. É claro que ninguém é idiota de continuar a financiar um país, a um custo barato, logo após o default.
Como a grécia não tem o poder de criar papel, e default não parecia ser uma opção, o jeito foi o ajuste das contas públicas como condição para receber uma ajuda da comunidade euroéia e do FMI. Todos vimos nas ruas de atenas o custo político de se cortar gastos públicos.
Há especulações quanto a uma possível expulsão dos gregos da zona do euro como forma de esta desvalorizar sua moeda, monetizando a suas dívidas e fomentando suas exportaçõe no curto prazo.
Pronto, agora que expus o breve panorama vou expor minha opinião quanto a situação. Primeiramente em caso da saída da grécia do clube do euro, acredito que nenhum ser um pouco esperto va comprar o drachma (ouvi dizer que este era o nome da antiga moeda) sabendo que este será desvalorizado (perderá seu poder de compra) o resultado pode ser uma corrida bancária, ou seja, a população ao saber que a grécia sairá da zona do euro correrá aos bancos para sacar seus euros antes que estes virem drachmas que virarão pó. Nem preciso dizer o pânico financeiro dessa situação, teríamos uma crise bancária grega seguida por aumento da aversão ao risco mundial que poderia levar a quebra de mais bancos ao redor do mundo em países endividados.
Quanto a solução da ajuda do FMI e da ajuda da comunidade européia tenho alguns pontos a citar. Com essa ajuda os investidores podem se sentir seguros pois estes se livram dos papéis gregos perigosos transferindo-os ao FMI e a comunidade européia. A comunidade européia então assumi o pepino e exige que as medidas austeras gregas sejam feitas. Se eu fosse um habitante da população grega eu não estaria satisfeito em saber que meu país esta sofrendo essas medidas para pagar investidores alemães, ingleses, e do resto mundo que arriscaram em um governo gastão e estão sendo socorridos por unidades políticas. O salvamento do governo grego manda o sinal para os investidores de que não perigos em emprestar aos gastões da zona do euro pois, em caso de dar merda e não der para pagar, a comunidade faz uma vaquinha e ajuda. Se eu fosse um alemão, estaria bastante puto em saber que o meu "governo responsável" vai emprestar dinheiro dos "gregos irresponsáveis".
Na minha opinião, a situação é bastante delicada e não existe solução saborosa. Temos um pessoal que gastou muito mais do que dispunha e alguém terá de pagar essa conta. Os candidatos a pagar essa conta são: a população grega (em redução de benefícios e aumento de impostos), os investidores (em caso de default), o FMI e a comunidade européia (ao assumirem os riscos na rolagem da dívida grega) ou a população novamente (dessa vez em poder de compra em caso de desvalorização da moeda grega). Acho que uma combinação de todos seria a melhor solução para o problema grego de forma a não concentrar o ônus na população (que não tem culpa de seus governos distorcedores de dados)ou nos investidores (que apesar de também não terem culpa da informação distorcida deveriam arcar com os custos dos riscos que assumiram).
Por fim, quero ressaltar que a grécia é nanica frente aos problemas que ainda virão. Ja é sabido que a Irlanda e Portugal também estão com a corda no pescoço, além da Espanha que possui um tamanho mais representativo. Estes enfrentam o mesmo problema da grécia e não tem a possibilidade de desvalorização monetária. No entanto, ressalto como no último post, o verdadeiro monstro esta nos EUA, Japão e UK. A grécia deve 300 bi de euros, os EUA devem quase 13 trilhões (somente em dívida pública e sem contar algumas garantias hipotecarias que, pretendo comentar em posts futuros, podem gerar fortes dores de cabeça). Quando a inflação americana atacar e os juros voltarem a subir nos EUA, ai sim o bixo vai pegar de verdade.
Ainda escreverei um post com minhas idéias sobre um modelo econômico estável e sustentável, mas por enquanto fico nessas análises um tanto simplistas do momento em que vivemos.
A dívida grega tem valor bastante elevado superando o seu PIB, e seu déficit de dois dígitos em percentual do PIB não ajuda a crer que essa relação deva melhorar. Pois bem, resumidamente, os investidores começaram a duvidar da capacidade grega em honrar suas dívidas e os prêmios de risco (medido pelos CDS, que são como seguros) para os papéis gregos começaram a subir em ritmo acelerado. A grécia encontrou ai um problema, já não tendo recursos para pagar suas contas precisaria rolar sua dívida a um custo inviável.
Começou a cogitar-se um default, no entanto, li um argumento de Paul Krugman interessante quanto a essa possibilidade. A grécia possui um déficit primário (excluindo-se juros) de 8,5% do PIB, ou seja, em caso de renegociação da dívida e suspensão dos pagamentos de juros e de principal, a Grécia ainda assim necessitaria de financiamento para pagar suas contas. É claro que ninguém é idiota de continuar a financiar um país, a um custo barato, logo após o default.
Como a grécia não tem o poder de criar papel, e default não parecia ser uma opção, o jeito foi o ajuste das contas públicas como condição para receber uma ajuda da comunidade euroéia e do FMI. Todos vimos nas ruas de atenas o custo político de se cortar gastos públicos.
Há especulações quanto a uma possível expulsão dos gregos da zona do euro como forma de esta desvalorizar sua moeda, monetizando a suas dívidas e fomentando suas exportaçõe no curto prazo.
Pronto, agora que expus o breve panorama vou expor minha opinião quanto a situação. Primeiramente em caso da saída da grécia do clube do euro, acredito que nenhum ser um pouco esperto va comprar o drachma (ouvi dizer que este era o nome da antiga moeda) sabendo que este será desvalorizado (perderá seu poder de compra) o resultado pode ser uma corrida bancária, ou seja, a população ao saber que a grécia sairá da zona do euro correrá aos bancos para sacar seus euros antes que estes virem drachmas que virarão pó. Nem preciso dizer o pânico financeiro dessa situação, teríamos uma crise bancária grega seguida por aumento da aversão ao risco mundial que poderia levar a quebra de mais bancos ao redor do mundo em países endividados.
Quanto a solução da ajuda do FMI e da ajuda da comunidade européia tenho alguns pontos a citar. Com essa ajuda os investidores podem se sentir seguros pois estes se livram dos papéis gregos perigosos transferindo-os ao FMI e a comunidade européia. A comunidade européia então assumi o pepino e exige que as medidas austeras gregas sejam feitas. Se eu fosse um habitante da população grega eu não estaria satisfeito em saber que meu país esta sofrendo essas medidas para pagar investidores alemães, ingleses, e do resto mundo que arriscaram em um governo gastão e estão sendo socorridos por unidades políticas. O salvamento do governo grego manda o sinal para os investidores de que não perigos em emprestar aos gastões da zona do euro pois, em caso de dar merda e não der para pagar, a comunidade faz uma vaquinha e ajuda. Se eu fosse um alemão, estaria bastante puto em saber que o meu "governo responsável" vai emprestar dinheiro dos "gregos irresponsáveis".
Na minha opinião, a situação é bastante delicada e não existe solução saborosa. Temos um pessoal que gastou muito mais do que dispunha e alguém terá de pagar essa conta. Os candidatos a pagar essa conta são: a população grega (em redução de benefícios e aumento de impostos), os investidores (em caso de default), o FMI e a comunidade européia (ao assumirem os riscos na rolagem da dívida grega) ou a população novamente (dessa vez em poder de compra em caso de desvalorização da moeda grega). Acho que uma combinação de todos seria a melhor solução para o problema grego de forma a não concentrar o ônus na população (que não tem culpa de seus governos distorcedores de dados)ou nos investidores (que apesar de também não terem culpa da informação distorcida deveriam arcar com os custos dos riscos que assumiram).
Por fim, quero ressaltar que a grécia é nanica frente aos problemas que ainda virão. Ja é sabido que a Irlanda e Portugal também estão com a corda no pescoço, além da Espanha que possui um tamanho mais representativo. Estes enfrentam o mesmo problema da grécia e não tem a possibilidade de desvalorização monetária. No entanto, ressalto como no último post, o verdadeiro monstro esta nos EUA, Japão e UK. A grécia deve 300 bi de euros, os EUA devem quase 13 trilhões (somente em dívida pública e sem contar algumas garantias hipotecarias que, pretendo comentar em posts futuros, podem gerar fortes dores de cabeça). Quando a inflação americana atacar e os juros voltarem a subir nos EUA, ai sim o bixo vai pegar de verdade.
Ainda escreverei um post com minhas idéias sobre um modelo econômico estável e sustentável, mas por enquanto fico nessas análises um tanto simplistas do momento em que vivemos.
Para complementar esta análise deveria ser estudada a situação política em todos os lugares em questão. As políticas austeras Gregas vao ser encaradas de que forma pela população local? O histórico grego é de democracia estável? E quando serão as eleições na Alemanha?
ResponderExcluirCelso Ming falou que a solução para o Euro seria mais Euro, ele quis dizer que a comunidade europeia deveria caminhar para uma união não só monetária, mas também política, fazendo com que a responsabilidade de certos agentes se espalhasse benéficamente por um governo único Europeu. A Europa viraria uma federação.